Denis (03)

Denis Shimada

Formação Feldenkrais Brasil III - Porto Alegre

Segmento 1

Vi este comentário da Sheryl Field sobre a citação do Moshe "Corrigir é incorreto". Achei muito bacana como isso traduz, no meu ver, a relação terapêutica. Me levou para o exercício que fizemos com o Jerry de avalição e imitação do caminhar do outro. E da nossa tendência natural de focar no negativo.

O vídeo não tem legenda, então traduzi da melhor forma que consegui.

Não conheço Sheryl Field ou seu trabalho mas, pelo pouco que pesquisei ela é uma practioner, professora assistente e parece estar fazendo um trabalho muito interessante com crianças no "The Field Center for Children".

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"Moshe disse, de diversas formas, que corrigir é incorreto. E, conforme eu fui me desenvolvendo no Método em relação a mim mesma, em relação a todas as outras pessoas que eu trabalhei, em crianças, em adultos, através do contexto de Integração Funcional, em treinamentos... eu constantemente fico mais e mais admirada com esse conceito.

Uma pessoa se move sempre da melhor maneira que ela pode. Ela está recrutando e fazendo coisas de uma maneira que, apesar de poder não ser agradável de se ver por fora e poder até não causar uma boa sensação pra ela, é a melhor solução para aquela tarefa levando-se em conta o histórico dela, as suas experiências, o que ela tem pra usar naquele momento.

Nosso papel principal, nesse contexto, é permitir a um indivíduo, independentemente da idade, a oportunidade de se sentir do jeito que ele está naquele presente momento e oferecer a ele algumas alternativas, outras possibilidades de conforto, de organização, de efetividade, de experiência... Oferecer a possibilidade de ele fazer uma outra escolha.

Então, no contexto da Integração Funcional, nós encontramos uma pessoa no lugar em que ela está, da forma que ela está, sem fazer aquele tipo de avaliação ou julgamento de valor que diz “eu sei o que você sente pra você mesmo... e o que você sente não é adequado, precisa ser corrigido”.

Nós não pensamos dessa forma. Nós preferimos pensar “..uau, você está fazendo funcionar você do jeito que você é... e olhe o todo que você é que você ainda nem descobriu”.

E aí oferecer a essa pessoa o tempo, o verdadeiro tempo pra ela fazer essas descobertas. E ir devagar o suficiente para encontrá-la no lugar em que ela está para que as sensações possam ser registradas e realmente integradas com o lugar que ela está naquele momento.

Quanto mais eu me aproximo de entender quão dinâmico que cada momento das nossas vidas é, que cada momento das nossas ações é, como nós emergimos momento a momento organizados pro nosso benefício, com propósito, direção... Eu vejo que nós não sabemos mesmo qual o próximo momento será, nós não temos a possibilidade de saber pra nós mesmos o que nós vamos precisar, que tipo de montagem nós vamos precisar na coluna, onde nossa respiração precisará estar para realmente impactar nosso movimento da forma que nós queremos, onde nossos pés precisarão estar, onde nós estaremos olhando, o que nós estaremos fazendo com a nossa cabeça, o que precisaremos fazer com nossos ombros, com nossos dedos, com nossa língua, com nossas palavras, com nosso pensamento... O que é que nós poderíamos saber do próximo minuto, do próximo segundo, dos próximos cinco segundos? Nós não podemos saber de nada pra nós mesmos... E muito menos pra qualquer outra pessoa.

O bonito, bonito da Consciência pelo Movimento, que nos foi dado pelo brilhante Moshe Feldenkrais, é ir de volta mais uma vez para os colchões com nós mesmos, de volta pra caixa de areia, de volta ao playground, de volta pra aquele lugar elementar onde nós podemos experimentar mais uma vez a possibilidade de nos formar.

A ideia é de que nós nos formamos pelos nossos prazeres, pelos gostos, pelos desgostos, pelos confortos, pelos desconfortos, pelas nossas decisões de dizer sim ou de dizer não.

É dessa forma que eu sinto que Moshe sentia tão profundamente sobre o absurdo de se pensar que a gente possa corrigir alguém. Nós podemos apenas oferecer a eles a possibilidade de fazerem novas distinções e novas decisões."

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