Telma (01)

Telma Vitorina

Formação Feldenkrais Brasil III - Porto Alegre

Segmento 2

13 de julho de 2015

Chuva forte em PoA desde a madrugada. Pela primeira vez em todos esses dias me sinto angustiada com o silêncio de alguém que trago em meu coração. Acordei com “Bem-me-quer” (canção da banda Os Grileiros) na cabeça e a escutei durante o caminho até o local da formação.

Em minha mente imagens do filme “Melancolia”, de Lars Von Trier. Assim eu me sinto: melancólica. E lembro-me das diversas reações que o ser o humano pode ter (ao menos aquelas retratadas no filme) ao se saber na iminência de terem suas vidas devastadas por este sentimento.

14 de julho de 2015

Compreendo que a Melancolia vai crescendo na mente de quem percebe que seu mundo está na iminência de ruir. Poderia não ser a melancolia, poderia ser medo, revolta, desesperança, raiva, apego, culpa... cada um dá o nome que quer ao seu monstro pessoal e cada momento da vida pode pontuar com mais veemência qualquer um deles. Von Trier escolheu a Melancolia. E eis que ontem ela me habitou. Porém hoje eu percebo o quanto me sinto dentro do filme. E que a minha Melancolia, na verdade, era pela iminência da desestruturação do meu Velho Mundo e de tudo o que há nele e que já não mais me serve. É só um luto. Já passei por outros, mas esse é especial. Os outros eram lutos de ciclos. Agora é o luto de um mundo. Do meu Velho Mundo. E por isso deve ser celebrado! E, assim como Justine, eu escolho corajosamente observar a minha Melancolia crescer e ficar enorme e sem tamanho diante de mim, para poder contemplar as luzes da implosão do meu Velho Mundo e vislumbrar as luzes do vasto horizonte de infinitas possibilidades ainda desconhecidas que eu começo a construir a partir de agora.

26 de julho de 2015

Sinto-me como o viajante do tempo, que segue em uma cápsula para o futuro. Durante a sua viagem ele envelhece e quando retorna ao seu ponto de partida encontra tudo e todos do mesmo modo que os deixou; mas ele já não é mais o mesmo. Tendo a pensar que encontrarei as mesmas caixinhas que deixei ao partir. E que, não cabendo mais nelas (mesmo que antes, com bastante esforço eu pouco cabia e já bem desconfortavelmente), já não encontraria mais onde e como habitar naquele Velho Mundo. Mas agora eu compreendo que o Velho Mundo não é lá (de onde venho), e nem o Novo Mundo é aqui (onde nos re-des-construímos juntos). Agora eu compreendo que ambos transitam dentro de mim. E que o conforto ou o desconforto, o peso ou a leveza, a paz ou o conflito, ambos eu os trago dentro de mim, e também os levo aonde quer que eu vá. Hoje eu tenho uma percepção mais afinada para me sentir feliz em plenitude com pequenos momentos de delicadeza, e deixa-los passar. Assim como trago suas lembranças cálidas a me aquecer o coração. E então sigo querendo cultivar meus pequenos prazeres, como o de um chocolate quente com a turma reunida numa tarde fria de inverno, nos abraços e histórias compartilhados, ou em sentir a energia pacífica de quem me acolhe em um mimo. E agora só me resta desapegar-me de qualquer expectativa de futuro, seja lá onde for. E, como o Hans costuma dizer durante as ATMs, perceber o quanto de mim está presente no que estou fazendo agora.

Estou voltando para casa sem o compromisso de acertar os métodos ou de curar pessoas, mas só com a vontade de experimentar e (re)criar a vida. E levo a lição de descobrir até onde vai a minha liberdade, sem que ela me traga dor.

Gratidão a todos os amigos feldencrazies.

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